• Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Pinterest Social Icon
  • Facebook Social Icon
  • Twitter Clean

Travessias Amuyen

Av. Raja Gabaglia s/n - Belo Horizonte - MG

(+55) 31 99565 7846

O Caminho dos Sete Lagos (parte III). A lagoa dentro do lago...

June 30, 2017

 

Se os olhos são os espelhos da alma, os lagos são os espelhos do universo. E isso é uma realidade na Patagônia. Se precisar uma mostra só tem que ficar numa posição privilegiada quando o sol banha de luz as montanhas ou quando as estrelas desenham figuras no céu enquanto a lua curiosa lava o rosto nas águas do Lago Espejo. Apenas uns quilômetros nos separa de Villa La Angostura e os percorremos devagar com a intensão de curtir cada momento, com os olhos arregalados pelas imagens que aparecem em cada curva da estrada. Uma sucessão de quadros pintados pela natureza com cores feitos de luzes e sombras, azul céu, verde floresta e o toque vermelho das árvores antigas.

Hoje vamos trocar o nosso ponto de vista, vamos ter a visão desde dentro do lago.

Subidos ao catamarã Futaleufú navegamos ao longo da península de Quetrihue, que significa "lugar do Arrayán", franzindo as profundas águas e acompanhados pelas gaivotas barulhentas que gritam pedindo comida enquanto voam sobre o navio. Levamos conosco as bicicletas de montanha porque vamos pedalar de volta numa trilha que muitos turistas não conhecem e que vai nos levar ate o istmo de Quetrihue, que enfeita ao Lago Nahuel Huapi como uma faixa verde e viva de floresta andina.

 

Na chegada ao porto somos recebidos pelo bosque de arrayanes, árvores de casca delgada e cor de canela que namoram os nossos sentidos. De silhueta trançada os mais velhos moram na região faz vários seculos e são testemunhas silenciosas do passo dos homens. Percorremos a trilha ate a cabana construída nos anos 40 onde o aroma do café e os bolos típicos da região nos convida a curtir esse momento mágico, esquecendo o passo do tempo. 

Fizemos um pequeno descanso para depois pegar as bikes e pedalar pela trilha, rodeados do aroma do bosque que o espirito do vento leva de passeio conosco. A trilha, como tudo na montanha, tem subidas e descidas que as vezes nos força a caminhar ao lado da bike para manter o fôlego controlado mas a experiência é deliciosa. O silêncio, apenas quebrado pelos pássaros e os sons da floresta faz parte da pedalada que vira uma forma privilegiada de conhecer a natureza. 

 

Quase na metade do caminho o sol entre as árvores indicam a trilha à esquerda que desce suavemente ate a Lagoa Patagua onde vamos parar para tomar um lanche e curtir essa maravilha: uma lagoa dentro de um lago.

A tarde trouxe novas luzes e o verde da floresta muda enquanto o sol reflete nas águas tranquilas da lagoa. Transparente e gelada dá muita vontade de molhar o rosto e perceber o ar puro que nos envolve. 

 

O lugar transmite paz e os quilômetros percorridos são apenas uma lembrança de energia boa, o momento vira um espaço de conversa relaxada enquanto comemos uma fruta que tínhamos guardada na mochila e que agora parece ainda mais gostosa.

Ficar sentados na beira da lagoa e olhar as montanhas distantes é um prazer simples que não tem preço. É uma sensação que nos deixa alegres e motivados para seguir pedalando, ainda temos alguns quilômetros na frente para chegar a "la angostura" o istmo que deu o nome da cidade.

A trilha de bike continua com seus acostumados declives mas começamos perceber que estamos perto do destino quando o caminho nos leva fora da floresta e a nossa direita aparece o Nahuel Huapi enquanto uma parede de pedra preta fica do lado esquerdo, o barranco indica o inicio do final do trajeto.

 

Pouco depois o caminho fica mais e mais estreito e a faixa de terra pela que rodamos tem água a direita e esquerda, somos conscientes que estamos sobre o istmo e a descida tem o sabor doce da tarefa realizada. Os últimos quilômetros estão acompanhados do desejo de uma cerveja e alguns tira-gostos na praia da Bahia brava num boteco com o quintal gramado e uma cerejeira enorme cheia de frutinhas vermelhas.